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  • Foto do escritorPedro Rego

Expedição ao Ártico - Episódio 5 - O ir e voltar!

A viagem de regresso ao Porto de Longyearbyen estava a ser tremendamente penoso...As paisagens essas eram sempre de tirar o fôlego, mas agora nada me chamava a atenção e a câmara, embora andasse sempre comigo, a vontade de pegar nela e fotografar era muito pouca. Tudo estava acabado e não tinha conseguido fazer nada. O rebocador, enorme, rebocava o barco a uma velocidade até bem considerável. O tempo era passado em passeatas no convés do barco, a tomar um café no bar e sentado na popa do barco, o meu local escolhido para estar só e ficar em silêncio, cabisbaixo. A Expedição ao Ártico, tinha terminado.


Durante este tempo claro que fiz algumas amizades e ia conversando com um grupo de pessoas mais jovens e de nacionalidades diferentes, França, Holanda, Nepal e Índia. Estávamos a tomar um café no bar quando o Rinnie entrou e veio ter connosco. "Olhem, tenho uma coisa para vos dizer, a companhia, Oceanwide Expeditions, comunicou connosco e eles têm um barco em direção a Longyearbyen e dizem que vocês podem embarcar no barco e fazer a expedição nesse barco, vocês estão interessados?" Mal acabou de dizer a frase já o meu coração saía do peito, a respiração cavalgava e quase os pulmões saiam boca fora! "Claro, mas claro!!" Exclamei logo com os olhos arregalados de felicidade e um sorriso a rasgar toda a face! "Mas claro!!!" Abraçámo-nos efusivamente com a alegria da esperança renascida de poder fazer a expedição!!


A partir daí tudo mudou, no dia a seguir entrámos no Porto de Longyearbyen e atracámos, mas a alegria tinha voltado e a esperança estava novamente em pé! Iria ter uma nova oportunidade. No entanto, ainda tínhamos que esperar 3 dias pela chegada do "Plancius" o nome do nosso novo quebra-gelos. Ahh e já agora este onde estava chamava-se Ortelius. A Companhia autorizou-nos a ficar a bordo enquanto o outro barco não chegava, uma boa ajuda senão teria que arranjar um quarto de hotel e o dinheiro, como sabem, era mínimo. Menos um problema, mas agora era tempo de começar a alterar os planos todos, tive que cancelar as expedições de terra que tinha programadas para depois, na chegada da viagem de barco e tive que alterar vôos e marcação de hotel para o último dia. Este processo foi algo complicado e ainda levou a ter que gastar algum dinheiro, mas com a ajuda da BEST TRAVEL - Bragança, tudo foi mais fácil. A simpatia da Alexandra e toda a ajuda que deu foi crucial para que tudo corresse bem!


E agora? Durante estes 3 dias o que fazer e principalmente sem gastar muito dinheiro? Bom, juntamente com este grupo de amigos decidimos ir visitar Pyramiden, uma localidade abandonada e que podem ver aqui neste post do Blog.


Acabámos também por fazer alguns passeios à volta de Longyearbyen onde tive a sorte de conseguir fotografar e filmar uma colónia de Tordas-anãs e mais Renas de Svalbard! Tão bom poder estar perto delas e conviver com elas sem que os animais fujam disparados como se vissem a morte, ao ter um encontro com um Humano...!!


Renas de Svalbard a pastar perto de Longyearbyen
Renas de Svalbard perto de Longyearbyen


Renas de Svalbard a pastar perto de Longyearbyen
Renas de Svalbard perto de Longyearbyen


Colónia de Torda-Anã numa encosta junto a Longyearbyen
Colónia de Torda-Anã numa encosta junto a Longyearbyen


Vista do cimo da encosta onde se localiza uma Colónia de Torda-Anã junto a Longyearbyen
A vista no cimo da encosta


Torda-anã, uma das aves que visita Svalbard no Verão
Torda-anã

E finalmente chegou o Plancius! Era tempo de dizer adeus ao Ortelius e embarcar no novo barco que fez renascer a esperança numa viagem bem sucedida e na concretização dos projetos fotográficos e videográficos.


Chegou a hora da saída e tive aquela sensação de "Dejá vu" ao sair do Porto de Longyearbyen em direção a Norte. Tudo ia começar outra vez!

Mar de Longyearbyen ao fim da tarde com o sol a rasgar as nuvens
Saída de Longyearbyen ao fim da tarde

As coordenadas cruciais da viagem estavam já definidas, iríamos navegar novamente à zona do glaciar do Mónaco, ao estreito de Hinlopen e o mais a Norte possível sempre em busca do grande Urso das Terras do Ártico, o Urso Polar! Pelo caminho se houvesse situações que o justificassem, iríamos alterando a rota. Um dos locais onde se decidiu parar foi numa zona chamada de Magdalenefjord, uma enseada lindíssima com uma pequena parede glaciar que já retrocedeu também imenso devido às alterações climáticas.



Parede Glaciar em Magdalenefjord Svalbard
Parede Glaciar em Magdalenefjord

Enseada em Magdalenefjord
A Enseada!

Parede Glaciar em Magdalenefjord Svalbard
Enseada em Magdalenefjord



Parede Glaciar em Magdalenefjord Svalbard
Parede Glaciar


Ali, nessa enseada descobrimos uma colónia de Morsas e obviamente a paragem era obrigatória! Uma emoção enorme estar ao pé destes enormes animais e também tão representativos do Ártico!!


Podem pesar até 3 toneladas e os seus enormes "dentes" podem medir até 2 metros! Não é por isso difícil imaginar a "monstruosidade" deste belo animal! A caminhada até ao local onde estava a colónia não era exigente, mas claro, com todo o material fotográfico, tudo fica um pouco mais difícil. Para piorar estava a chover, não era chuva mesmo chuva era uma mistura de gelo com neve, mas que enregelava a cara, as mão e os dedos, por causa da minha mania em fotografar sem luvas! Aqui e ali ia parando para fazer algumas fotos. Ao longe uma pequena cabana que servia de abrigo aos antigos pescadores de baleias e que felizmente hoje essa prática terminou há já algum tempo. Algumas destas cabanas servem hoje como refugio a cientistas, que as usam para passarem alguns dias nestas zonas. Que sonho seria para mim poder passar algumas temporadas nestas casas.....!! Nunca se sabe...Nunca se sabe...



Cabana em Magdalenefjord que serve de abrigo a cientistas
Cabana em Magdalenefjord


Chegámos às Morsas! Juntamente com Andy, o nosso novo Líder da Expedição, pois o Rinnie não seguiu a bordo connosco, seguimos à risca todos os conselhos dele. A aproximação às Morsas teria que ser feita de forma muito lenta e sem movimentos bruscos. Iríamos ficar num local específico para não perturbarmos os animais e depois disso, seriam eles a decidir se queriam aproximar-se mais de nós ou não. Mas a distância a que estávamos já me permitia fotografar confortavelmente! E que espetáculo tinha perante os meus olhos!




Colónia de Morsas em magdalenefjord, Svalbard em pleno Ártico
Colónia de Morsas

Colónia de Morsas em luta pelos lugares no meio
Colónia de Morsas em luta pelos lugares no meio

As Morsas passam grandes temporadas na água, é lá que se alimentam. No entanto, têm que descansar e recuperar a temperatura corporal perdida nos longos mergulhos e tempo passado nas águas gélidas e para isso, ou procuram plataformas de gelo no mar, ou vêem para terra, onde se agrupam em colónias de vários indivíduos. Aqui, existem hierarquias a serem cumpridas! Os mais fortes e possantes ocupam os lugares no meio da Colónia, enquanto que os outros vão ficando nas bordas. Ora, elas fazem isto por duas razões, uma é porque quando estão no meio conseguem aquecer mais rápido e manter melhor o calor e a segunda razão é a segurança. Num possível ataque de um Urso Polar, são as que estão nos limites exteriores as que estão em perigo de serem apanhadas. Os Ursos também atacam as Morsas, no entanto, não é a presa principal dele. Isto porque a Morsa é difícil de apanhar! Geralmente nunca estão sozinhas e elas defendem-se dos Ursos com os seus dentes possantes!


Morsa a "coçar" a cabeça!
Morsa a "coçar" a cabeça!

E o Urso não se pode dar ao luxo de ficar ferido, isso poderia ditar a sua morte. São também difíceis de caçar devido à sua pele incrivelmente dura e espessa e embora o Urso tenha garras e dentes muito fortes, este tem dificuldades em perfurar a pele das Morsas. Por isso, o Urso não procura propriamente as Morsas para se alimentar, mas....se se deparar com uma oportunidade, vai tentar certamente!




A visita a Magdalenefjord foi incrível, não só pelas paisagens mágicas, como também, claro, pelas imagens únicas captadas de Morsas! No entanto, também aqui se notam já várias evidências do degelo. Esta fotografia em baixo mostra aquilo que já foi uma grande lingua glaciar e hoje, é apenas uma montanha com os restos desse glaciar e água...Segundo os cientistas que conhecem este local as modificações são visíveis de ano para ano. Era também isto que eu procurava nesta expedição, evidências do degelo e das alterações climáticas. E não posso dizer que estava e que estou satisfeito por tê-las encontrado. Pelo contrário. A consternação e a tristeza de uma confirmação visual deste problema, foram grandes!


Retrocesso de um glaciar que deixa visível o solo e montanhas em Magdalenefjord Svalbard
O fim de um Glaciar


Retrocesso de um glaciar que deixa visível o solo e montanhas em Magdalenefjord Svalbard
Retrocesso de Glaciar

A expedição estava num bom rumo, logo no primeiro dia tanta coisa captada! Esperava que fosse um preâmbulo de um resto de viagem profícuo! Seguimos viagem no próximo episódio!!


Até já!!


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