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  • Foto do escritorPedro Rego

Expedição ao Ártico - Episódio 1: O começo!

Atualizado: 26 de set.

Todos nós temos os nossos chamados "sonhos de vida" e aqueles objetivos que se um dia pudéssemos, tudo faríamos para os tornar possíveis. Eu, não fujo à regra. O meu sonho não é ser milionário, não é ter ferraris, nem mansões, nem tão-pouco ir para uma ilha paradisíaca com areia branca, palmeiras, cabanas e camas de rede (se bem que...não me parece também mau de todo! :) ). O meu sonho era poder ter um dia a oportunidade de ir àquela zona fria e inóspita chamado Ártico e conseguir ver o meu animal preferido, o incrível Urso Polar!


Desde que deixei para trás a docência e o ensino, ainda que me mantenha por perto como formador de Fotografia e vídeo, que o meu objetivo era seguir uma carreira ligada à imagem, em concreto à fotografia de vida selvagem e Natureza. No entanto, sempre quis que esse objetivo pudesse ter um fim maior que somente criar fotografias de animais selvagens e de Natureza. Queria dar um significado mais forte à minha fotografia. Desde logo o meu primeiro objetivo com os meus trabalhos estava definido, a conservação da Natureza, isso seria obviamente aquilo que mais pretendia. Depois, dentro desse grande objetivo queria que as histórias que pudesse contar em fotografia tivessem também outros propósitos. E foi em 2013 que soube exatamente o que queria fazer. Esse ano tinha sido terrível para o degelo no Ártico e foi nesse ano que comecei a tentar saber mais, a pesquisar, a procurar bases científicas sobre uma problemática cada vez mais crescente, o aquecimento global e as alterações climáticas! Tinha então aqui o meu grande objetivo. Acabara de me chegar aos olhos e à minha mente aquilo que me faltava. Um propósito, uma história que contar, um objetivo! E que objetivo este....


A partir dali, tudo começou a fazer sentido e comecei a elaborar planos e mais planos! Sabia que queria ir ao Ártico, obviamente teria que ir lá por várias razões, desde logo, porque era ali um dos locais onde mais se faziam sentir (à data) as alterações climáticas e porque obviamente isso estava a fazer perigar a existência do meu animal preferido....O Urso Polar! Continuei a minha pesquisa e quanto mais pesquisava, mais percebia que havia determinados locais do Mundo onde as alterações climáticas estavam a colocar em perigo os ecossistemas e também...a intervenção direta do homem estava a colocar espécies em sério risco de extinção! E assim nasceu o meu projeto! Um projeto que engloba efetuar histórias fotográficas e de vídeo de 6 ecossistemas diferentes, com uma coisa em comum, o sério risco de desaparecerem devido ao Homem diretamente ou às alterações climáticas. Irei abordar mais em pormenor este tema noutra publicação.


foto sobre o mundo com a indentificação do destino - Svalbard
O destino - Svalbard


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Assim que, comecei a colocar mãos à obra e a tentar perceber como seria possível efetuar este projeto. Iniciei a pesquisa sobre como fazer a expedição ao Ártico e...eis que esbarro num grande, grande problema...Os custos. Pois é, sempre o eterno problema do dinheiro mas para quem não é rico ou suficientemente "abastado" o dinheiro é claramente um problema sério.


Não tinha hipótese. Os custos totais da viagem entre avião, estadia em Svalbard 2 noites, compra da passagem de barco que me levaria o mais a Norte possível, seguros....a conta ascendia a mais de 6 mil euros....As minhas poupanças que poderia investir numa viagem destas eram de "apenas" uns 1500€, teria que arranjar forma de arranjar 4500€ para ser possível...

O desânimo apoderou-se de mim...de um momento para o outro o sonho de concretizar esta viagem caía por terra. Pensei em arranjar mais 1 trabalho, trabalhar noite e dia, mas mesmo assim, só passado uns 2 anos nessas condições é que eventualmente poderia poupar o suficiente...E até estava disposto a isso, mas seria incrivelmente duro trabalhar noite e dia sem descanso.


Tentei pensar noutras soluções e achei que mais alguém poderia achar que o projeto tinha valor e querer apoiar. O primeiro passo foi tentar ajudas do Governo. Péssima ideia claro. Perda de tempo em candidaturas, emails, telefonemas. A resposta mais curiosa que tive foi de uma instituição pública a dizer: "O projeto tem valor mas não o podemos apoiar porque não é feito em Portugal". Bem, achei isto tão, mas tão hilariante e ridículo que teria que escrever um post só a falar disto para mandar cá para fora a minha raiva e indignação! :D Mas agora já passou!


Após todos os nãos voltaram as dúvidas e o desânimo. teria que encontrar outro caminho e esse seria pedir o apoio a empresas e individuais. Talvez alguém se interessasse pelo projeto, Projeto esse que não engloba só a captação de imagens, mas sim todo um trabalho de educação ambiental adjacente pois era minha proposta que com o trabalho conseguido, ir a escolas, universidades, associações, ir a todo o lado contar o que vi e trazer para Portugal, não só relatos do Ártico, como. também um alerta na primeira pessoa relativamente às alterações climáticas.


Assim que, através da plataforma PPL iniciei um processo de crowdfunding e pela primeira vez na vida estava a pedir uma ajuda monetária. Senti um misto de emoções....Esperança claro, de tentar conseguir com o crowdfunding 3500€ e tentar conseguir com patrocínios 1000€ fazendo então os 4500€ que me faltavam para a viagem. Mas um misto de emoções porque também se apoderou de mim o medo e o receio do que as pessoas pudessem pensar e de acharem que estava a pedir dinheiro só por pedir...receio de que as pessoas levassem a mal....e obviamente receio de que não funcionasse...Esta era a minha última hipótese...Sabia que o processo de funding, ou crowdfunding (angariação de fundos para projetos) era perfeitamente normal lá fora, em Países como os Estados Unidos, ou outros Europeus, mas em Portugal não é assim tão normal, ou não era, e as pessoas têm muita dificuldade em contribuir para projetos assim. Ou por desconfiança, ou porque a vida não está fácil e não é fácil contribuir seja com o que for. Mas, pensava eu....Se 3500 pessoas contribuíssem com um eurito, isto era possível...e 1€ é uma cerveja ou um café...Eu próprio sempre contribuí para vários projetos, achava que poderia ser possível...


Ao mesmo tempo fiz um apelo nas redes sociais para tentar perceber se haveria empresas que se queriam associar ao projeto em troca de publicidade durante toda a expedição. Os primeiros tempos após a abertura do Crowdfunding e do apelo a empresas foram fantásticos! Muita gente a dar os parabéns pelo projeto e a quererem contribuir! Mesmo aqueles que não conseguiam fazer as contribuições online, davam-me o seu contributo em dinheiro e eu encarregava-me de o colocar na plataforma. Também a nível empresarial a resposta foi logo imediata! A Bestravel - Bragança, a Clínica Médica Dentária Dr. Cláudio Alves, A Clínica veterinária VetSantiago, a CENTAL - Inspeções Automóveis, Emílio Martins, Viagens e Turismo, Associação Topo da União. E que grato estou a todos eles! Que grato!! Com a sua ajuda tinha conseguido o valor que tinha proposto para os patrocínios.



Foto de Svalbard com identificação dos patrocinadores
Logos Patrocinadores


O Crowdfunding decorria, mas após o ânimo do período inicial as coisas começavam a "arrefecer". Decorrido metade do tempo limite para conseguir o valor, 15 dias, tinha pouco mais de metade do valor necessário. O número de pessoas a contribuir era mais do que eu podia pedir claro, mas ainda assim continuava alo longe do objetivo dos 3500€. Para piorar, um dia vou ao facebook e dou com um post de um "aficionado" da fotografia a mostrar a sua indignação pelo crowdfunding e a dizer que não iria contribuir para pagar férias fotográficas a ninguém e a dizer que aquilo era uma vergonha. Caiu-me tudo. Nesse momento, e ao mesmo tempo que lia alguns comentários nesse post a dizer "acho muito bem"; " essa gente só se quer aproveitar dos outros" as lágrimas vieram-me aos olhos. Fechei esse post e abri outro onde um senhor de Bragança que não conheço de lado nenhum dizia: " Esse Pedro Rego tem muito dinheiro, não precisa de pedir!" Pelo teor do que disse, é mais que óbvio que não me conhece mesmo. Não, infelizmente não tenho nem tinha à data. E por isso mesmo me estava a expor daquela forma. Precisei de algum tempo para me recompor. Fiquei tão triste...mas tão triste mesmo! Não, não eram férias fotográficas que eu queria. Não, não tinha muito dinheiro. Aconteceu aquilo que tinha receio que acontecesse, a crítica injusta e que as pessoas não percebessem...Lembro-me de andar um dia ou dois cabisbaixo, com receio de abrir as redes sociais e ler mais algum comentário desses...Pensei durante esse tempo em terminar tudo. Acabar com o processo de crowdfunding e acabar com o projeto. Não queria seja de que forma fosse que as pessoas pensassem algo tão grave como o que li.

Após conferenciar e falar com a família e amigos mais próximos, todos foram unânimes em me aconselhar a não desistir e em não dar ouvidos a um ou outro que aparece pela internet. Sabia e sei que há e haverá sempre aqueles que não compreendem, que estão sempre dispostos a criticar e que a sua vida é feita de um mau feitio atroz e inveja do que os outros fazem ou tentam fazer. Não! Não me podia deixar abater. Acreditava no projeto, sabia qual o objetivo dele e que teria que saber lidar com este tipo de pessoas. Ainda mais, porque já tinha um bom numero de pessoas a também acreditar e as empresas que de forma tão carinhosa e espontânea me tinham concedido o seu apoio.


Voltei a ganhar ânimo e voltei "à carga". Enviei um sem numero de emails a empresas nacionais, regionais e locais. Zero. Bola! Nicles. Nada! Em 90% das vezes nem resposta obtinha, nos restantes 10% diziam que o projeto era muito interessante mas não tinham disponibilidade no momento de poder apoiar. O não está sempre garantido não é...? :) Há que tentar.


Enfim, o duro processo desenrolava-se e estava a chegar ao fim o processo de crowdfunding e ainda faltava uma boa parte do dinheiro. Já não sabia para onde me virar! Eis que de repente surgem 2 pessoas a contribuir e que contribuíram com o suficiente para chegar aos tais 3500€ que iriam possibilitar a expedição. Lembro-me exatamente do momento em que recebi ambas as notícias desses 2 apoios....Não queria acreditar....Fiquei num limbo entre a realidade e entre o pensar que essa realidade não era real.


Após todos esses momentos e finalizado o crowdfunding mais uma contrariedade, não tive em conta que a plataforma de crowdfunding cobrava 7% do valor angariado. Ora 7% de 3500% são à volta de 230€. Recorri às poupanças de emergência para conseguir ter o valor total, depois deste caminho todo não iria "morrer na praia"!




Estreito de Hinlopen - Um dos locais para observar o Urso Polar
Estreito de Hinlopen - Um dos locais para observar o Urso Polar

Agora era tempo de preparar tudo, material fotográfico, roupa, acessórios e planificação, muuuita planificação para que nada corresse mal! Tinha angariado o suficiente para conseguir estar 8 dias no ártico, era muito pouco, muito pouco mesmo para fazer um trabalho de fundo, mas era o que tinha e tinham que ser 8 dias mesmo muito proveitosos. Nada podia correr mal. O trabalho era extenso e intensivo, mas agora feito com uma força nova e renovada, alimentada pela adrenalina da confirmação que a expedição iria acontecer!



Foto de exemplo do planeamento efetuado para expedição ao Ártico
Planeamento da viagem


Após todo o processo de planificação, compras de bilhetes, marcação de quartos, tudo pronto estava a aproximar-se a hora de partir. Durante todo este processo fiz questão de mostrar todas as faturas dos gastos para provar que todos os gastos que estava a ter com a expedição condiziam com as despesas que tinha descrito no processo. Transparência e honestidade, sempre!


Estava a aproximar-se a hora da partida! A emoção crescia também e o nervosismo também confesso!


No episódio 2: Partida e viagem e a chegada a Svalbard!


Não percam!



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